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Defensora
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Publicada em 05 de Outubro de 2008,
Fonte
UOL
PEDRO CARVALHO
Da Redação
Em seu novo CD, "Estandarte", lançado quarta-feira (1), o Skank traz de volta a sonoridade dançante que fez com que a banda de Samuel Rosa (guitarra e vocal), Henrique Portual (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria), tenha sido, durante anos, a maior banda pop do país.
Trazendo de volta o produtor Dudu Marote, responsável por seus discos de maior sucesso comercial, "Calango" (1994) e "O Samba Poconé" (1996), a banda mineira procurou recuperar um pouco da alegria que marcava a primeira fase de sua carreira. "O disco é um pouco o fruto da tensão deste reencontro. Acho isso bacana", diz Samuel Rosa.
Se engana, no entanto, quem acha que "Estandarte" é um disco retrógrado, ou que as conquistas artísticas desde o marcante "Cosmotron"(2003), tenham sido em vão. Por cima das levadas dançantes e refrões memoráveis, o novo álbum é repleto de guitarras, incluindo algumas das mais pesadas já gravadas pela banda. Nas palavras de Samuel, "é um disco mais para fora, mais contundente".
É marcante o cuidado com a produção, que se destaca pela combinação de timbres clássicos e performance nua e crua com baterias eletrônicas e compatibilidade com as pistas de dança. O que pode parecer um paradoxo, é a maior vitória do trabalho, que já se coloca como um dos constantes pontos de virada na carreira do Skank.
Leia abaixo entrevista com Samuel Rosa:
UOL - A primeira faixa de "Estandarte", "Pára-Raio", chama bastante a atenção pela pegada Roberto Carlos, com a influência soul. Ao mesmo tempo, boa parte do disco tem em comum com essa fase final da jovem guarda as guitarras fuzz (efeito de distorção muito comum nos anos 60, eternizado na introdução de "Satisfaction", dos Rolling Stones) combinadas a baterias suingadas e melodias grudentas.
Samuel Rosa - Essa sonoridade retrô sempre seduziu muito o Skank, desde os tempos em que nós usávamos mais o sampler, como em "É Proibido Fumar", por exemplo, no disco seguinte, "O Samba Poconé", sempre usamos guitarras Rickenbacker de 12 cordas, por exemplo, o que não é muito comum no Brasil.
Confesso que realmente tive nesse álbum uma forte inclinação a usar guitarras e efeitos mais antigas. A maioria das guitarras são velhas e têm uma sonoridade muito peculiar, assim como os efeitos. O pedal de fuzz está presente, como você apontou, em quase todo o disco.
A intenção em "Pára-Raio" era ter uma guitarra base com um brilhozinho bem característico daquela época, ou seja, uma mistura de soul com alguns traços da jovem guarda.
UOL - Nos anos 60 não havia muito esta distinção entre a música para dançar e o rock. Neste disco deu para notar que vocês eliminaram também um pouco esta distinção. Há coisas mais eletrônicas, com batidas seqüenciadas, mas sempre com guitarras bem evidentes e uma veia roqueira. Parece um disco de rock dançante.
Samuel Rosa - Realmente, a gente conseguiu conciliar esses dois aspectos, talvez pelo reencontro com o Dudu Marote, que é um cara mais de pista, da eletrônica. Ele pegou um Skank mais enveredado pelo mundo do rock, das timbragens, das melodias.
Nossa pretensão neste álbum era juntar coisas que estavam um pouco separadas nos discos recentes. Era pegar coisas mais roqueiras que estavam presentes nos últimos álbuns e conciliar com essa veia dançante que o Skank também teve, mais em evidência no primeiro álbum, mas que sempre esteve lá.
UOL - Como vocês definiram que sonoridade o disco teria?
Samuel Rosa - Como já vínhamos tocando as músicas juntos em estúdio, eu ia experimentando timbres de guitarra ali mesmo. Quando chegou minha vez de gravar, eu já tinha em mente o que iria utilizar. Eu nunca havia feito isso, por incrível que pareça. Assim fica mais fácil criar, mas a banda tem que tocar a mesma música pelo menos 10 vezes seguidas.
Antigamente nós entrávamos num estúdio grande no Rio ou em São Paulo e regravávamos as coisas que já tínhamos feito na pré-produção. Ganhava-se muito em qualidade, mas perdia-se em espontaneidade. Então nós passamos os últimos anos equipando nosso estúdio para que as pré-produções já virassem elas mesmas as gravações dos discos. Assim não precisamos ficar passando o disco a limpo o tempo inteiro. Gravar é como pintar um quadro. O cara não pinta o mesmo quadro duas vezes.
UOL - Além disso você não precisa ficar levando sua coleção de guitarras para cima e para baixo.
Samuel Rosa - Com certeza. Minha curiosidade e conhecimento sobre a guitarra aumentaram muito nos últimos anos. Nos primeiros discos, com aquele negócio de dancehall e ska, a guitarra era mais secundária. Até que um dia um garoto que eu nem conhecia me parou na rua e disse "bicho, os discos do Skank estão precisando de mais guitarra". Aí eu brinquei com ele e disse "mas eu não sei tocar direito" e ele respondeu "então aprende, está passando da hora". Coincidência ou não, depois disso o Skank começou a tomar outros rumos no processo de composição e eu decidi que era a hora.
UOL - Vocês já chegaram no estúdio com essa proposta de unir o lado dançante e o lado roqueiro ou isso veio do Dudu Marote?
Samuel Rosa - Foi acontecendo durante a produção mesmo. O que queríamos era ter de volta algo mais pulsante. Sair um pouco daquele extremo do "Carrossel", de dar ênfase aos arranjos e melodias. Acho que esse lado do Skank se esgotou.
Queríamos retomar o lado mais dançante, mas não vai aí nenhum tipo de nostalgia. Também não é fazer uma paródia do que o Skank foi em outros tempos. Foi apenas para honrar um aspecto que sempre fez parte da nossa música e ver que bicho ia dar.
Contribuiu muito nós termos começado a fazer o disco com os quatro tocando juntos em no estúdio, sem nada pré-concebido ou planejado. Partimos do ponto zero, sem nenhuma música. Eu não trouxe nada de casa.
As idéias iam surgindo ali de levadas que o Lelo e o Haroldo iam fazendo, ou eu puxava um riff de guitarra e a banda ia atrás. Fomos selecionando as melhores idéias e elas foram virando músicas.
UOL - E como foi esse reencontro com ele?
Samuel Rosa - Foi muito legal, o resultado está aí no álbum. Também foi um choque, porque ele está mais na eletrônica, há algum tempo ele não produzia um disco, apesar de já ter produzido muita gente.
A idéia veio de conversas que nós tivemos sobre a experiência dos últimos álbuns e dessa necessidade que sempre aflige muito o Skank de buscar outras sonoridades. Até pelo fato de não estarmos o tempo todo escrevendo letras, a gente pode se voltar mais para a parte musical. Talvez por isso nós sejamos uma banda com esse perfil sem precedentes no rock brasileiro, de mudar tanto, meter tanto a mão no próprio som...
UOL - Como os Beatles.
Samuel Rosa - Pois é. Eu não vou tão além, mas também vejo nos Beatles essa inquietação. Essa coisa de no mesmo álbum ter uma valsa, um rock, uma balada, um blues. Mas isso não é um critério obrigatório de qualidade. Existem bandas que mantêm o mesmo formato e conseguem fazer um trabalho de qualidade.
UOL - Outra banda que tem um pouco esse modus operandi de mudar e gravar músicas de vários tipos no mesmo trabalho são os Titãs. E eu noto que vocês têm algo em comum com o lado mais pop e alegre deles, o que transparece um pouco na participação que o Nando Reis teve em "Estandarte", colaborando com quatro parcerias.
Samuel Rosa - É eu não havia notado muito, mas você é a segunda pessoa que me diz isso. A minha parceria com o Nando vinha muito em baladas, como "Dois Rios" e "Resposta". E agora ele me disse que queria fazer rock. E eu, por já ter feito muita balada com o Nando, sempre mandava para ele esse tipo de canção. Até que pintou "Renascença".
Com o mp3 ficou muito fácil compor com o Nando. Eu mando a melodia, ele manda a letra, eu mando a melodia de volta com a letra cantada e a gente vai melhorando a música. Nesse disco nós tivemos a sorte dele não estar compondo ou gravando, então havia uma disponibilidade maior. O fato é que ele tem quase a metade do álbum. Fizemos cinco músicas e uma ficou de fora e pode ser aproveitada mais para frente.
UOL - Por que o disco se chama "Estandarte"?
Samuel Rosa - Porque precisava ter um nome. Pincei de uma frase da música "Chão", "seu prazer é o meu estandarte". O empresário me ligou dizendo que precisava de um para registrar o disco e eu fiquei ouvindo as músicas experimentando várias seqüências, até que me deparei com essa frase e gostei. "Estandarte" é uma palavra bonita, forte, contundente que sugere um mote, uma bandeira. Eu não saberia apontar definitivamente o por quê. Simplesmente precisava de um nome.
Se a gente quiser viajar um pouco, sobre o prazer do outro ser o nosso estandarte, poderíamos dizer que o Skank é uma banda que faz música pop e conjuga tudo o que faz com o desejo do público. Nós nunca escondemos isso. É um imperativo que o fã ouça no rádio e goste. Mas é preciso fazer isso na medida, não dá para fazer tudo sempre totalmente baseado no que o público quer. Até porque o Skank também tem muito tempo de estrada, já temos nosso público bem definido, que já sabe o que esperar de nós a maior parte do tempo.
Eu penso mais no que é legal, no que eu vou me orgulhar de apresentar ao meu público e à crítica. Claro que qualquer músico tem sua vaidade, quer fazer música boa. E eu também, quero me orgulhar e me emocionar com a música. Afinal de contas eu poderia ser parte do público também, a gente tem muito a ver com o nosso público, então o que nos agrada tem grande chance de agradar a eles.
UOL - E quando começa a turnê de "Estandarte"?
Samuel Rosa - Nós não paramos de tocar, mesmo no período de gravação continuamos fazendo shows. Tocamos até no último fim de semana e tocamos no próximo. Mas a turnê de "Estandarte" começa oficialmente em Belo Horizonte no dia 12 de outubro. Primeiro vamos colocar seis músicas novas e mexer um pouco na ordem. Queremos manter o máximo possível de canções mais recentes, do "Cosmotron" em diante, mas conjugando isso com os clássicos que todo fã quer ver. O show vai mudar razoavelmente. Nos dias 7 e 8 de novembro estaremos em São Paulo, no Citibank Hall
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